Dia 9. Autor da nossa fé

Hebreus 12:1-2a – “Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé.”

Já tentei fazer da corrida um exercício dos meus dias. Usei de todas as estratégias para começar, agarrando-me a promessas de que em menos de nada ganharia um prazer tal, que não passaria sem esse hábito. “É viciante” – garantiu-me uma amiga. Não resultou, não fiquei positivamente viciada. O meu exercício preferido chama-se “caminhadas”, que até podem ter passo apressado e trilhos exigentes, mas correr não é definitivamente para mim. Correr fica reservado para apanhar o comboio e – ainda assim – sou bem capaz de preferir esperar pelo próximo, a ter de fazer o esforço.

Por isso, esta ilustração de sofrimento e corrida até que nem seria descabida no meu caso, não fosse o caso de este o sofrimento que os destinatários desta carta estavam a passar era o da perseguição. Então, o autor escolhe ilustrar estas provações, como se de uma corrida se tratasse, incentivando os cristãos a manterem-se de olhos em Cristo, ao mesmo tempo que os relembra de que tudo o que fazem é observado por uma multidão de pessoas. Esta multidão, descrita como “grande nuvem de testemunhas” refere-se a todos aqueles que viveram antes e que deram testemunho da sua fé, a ponto de dedicarem as suas vidas. Aliás, a palavra original para usada para estas testemunhas é a palavra que dá origem a mártir.

De seguida, Jesus é descrito como o autor e o consumador da fé. Ele foi o exemplo perfeito de alguém que deixou de lado as distracções, correu com perseverança e chegou à meta. Jesus é o autor nossa fé, porque ele é o primeiro de todos, ao nos abrir o caminho, dando o exemplo do que é fazer sempre a vontade do Pai.

Hoje, somos chamados à mesma obediência, porque obedecer é difícil. Não somos perseguidos como eram estes cristãos, mas podemos vir a ser. A chamada que nos é feita à fidelidade é exigente e detalhada. Talvez a nossa corrida inclua doença, desemprego, solidão, abandono, desânimo. Somos chamados a correr essa corrida, não importa os obstáculos. Olhamos para a meta e para Jesus.

Até porque queremos poder dizer (eu quero!), aquilo que o o apóstolo Paulo escreveu na segunda carta a Timóteo, capítulo 4, versículo 7: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.”?

Que paz, poder dizer isto. Corramos, então, esta corrida.