Dia 17. Chifre da salvação

Lucas 1:67-79 – “Zacarias, seu pai, cheio do Espírito Santo, profetizou, dizendo:
Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo,
e nos suscitou plena e poderosa salvação (chifre) na casa de Davi, seu servo,
como prometera, desde a antiguidade, por boca dos seus santos profetas,
para nos libertar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam;
para usar de misericórdia com os nossos pais e lembrar-se da sua santa aliança
e do juramento que fez a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos que, livres das mãos de inimigos, o adorássemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os nossos dias.
Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-lhe os caminhos, para dar ao seu povo conhecimento da salvação, no redimi-lo dos seus pecados,
graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz.”

Precisamos contextualizar o cenário em que este louvor de Zacarias acontece. Resumidamente, cerca de nove meses antes, o anjo Gabriel tinha aparecido, anunciando que a sua mulher Isabel, que era estéril e já tinha idade avançada para engravidar, iria conceber um filho, mas não um filho qualquer: João Baptista seria o profeta que antecederia a chegada do Messias. Zacarias reage com cepticismo, e por isso, fica surdo e mudo, permanentemente.

Apesar da descrença, Isabel engravida mesmo, tal como Deus tinha dito. Oito dias depois de Isabel dar à luz, Zacarias foi interrogado acerca do nome para o bebé. Apesar das sugestões dos que o rodeavam para lhe dar o mesmo nome do pai, Zacarias, Isabel diz que o nome do bebé deveria ser João. Quando insistem que não há ninguém na parentela com o nome do pai, Zacarias pega na tabuinha e escreve enfaticamente: “João é o seu nome”, confirmando aquilo que Isabel dizia.  Foi nesse instante que “Imediatamente, a boca se lhe abriu, e, desimpedida a língua, falava louvando a Deus.” (versículo 64). É daí que surge este cântico de louvor, que não é apenas um reflexo da alegria que Zacarias sente por finalmente ser pai, mas por estar cheio do Espírito Santo, e saber que a promessa da vinda do Messias estava para se cumprir. Este bebé seria o precursor do Messias.

Zacarias descreve, neste cântico, a redenção de Deus com a ilustração de Deus de um chifre de salvação. O chifre, nestes tempos, poderia ser usado com dois fins: o de um instrumento ou de uma arma mortal. É neste segundo fim que Zacarias se inspira. Lemos no Salmo 92:9-10, por exemplo:

“Eis que teus inimigos, ó Eterno; sim, os teus adversários serão aniquilados; todos que praticam a malignidade serão dispersos! Tu reergueste, como chifre de búfalo, a minha fronte; derramaste, sobre mim, óleo balsâmico e revigorante. falou de poder para conquistar e matar, como o de uma grande besta com chifres.

Este chifre representa força e vitória sobre os inimigos. É o que Jesus veio fazer. As boas notícias deste cântico de Zacarias são as boas notícias para nós hoje: Deus levantou o seu chifre da salvação, e todos aqueles que confiam e crêem no seu nome estão protegidos e seguros. Ele derrotou o pecado, trazendo-nos livramento da nossa perdição.