Timidez, emoções e afins.

As memórias a lembrarem daquele Natal na igreja, em que todas as crianças foram à frente fazer os gestos, menos o meu filho de 3 anos. Entre a pressão social dos que tinham pena do coitadinho que era obrigado a ir e os que se riam pelo facto, esta mãe aqui continha os nervos e prosseguia.

Sabem, eu sou uma pessoa tímida. Eu sei o que é querer fazer uma coisa, estar à beira do vómito e fazê-la a muito custo. Lembro-me de desejar ir com a multidão e, simplesmente, não saber muito bem como o fazer, e desistir.

Existem muitas teorias em relação às personalidades, inclusive as diferenças entre ser um tímido e um introvertido. Dizem que o tímido quer estar com pessoas, mas nem sempre sabe como e o introvertido fica bem no seu canto, sem precisar de muita companhia. Fica para outra altura.

Aqui, a timidez reinava e eu tentava – a custo de várias técnicas, algumas pouco pedagógicas ao abrigo das teorias modernas- que o meu filho não ficasse refém das suas emoções. Estávamos em comunidade, num lugar seguro, a cumprir objectivos juntos de louvor. Ele não fazia os gestos como fazia em casa, e paciência. Ir à frente era, já por si, uma vitória. Mas ia.

É um erro achar que todos temos de enfrentar um auditório com a mesma atitude desprendida, como se isso fosse sinal de sermos pessoas muito bem resolvidas. Da mesma forma que não sorrir não significa não estar alegre, assumir as nossas fragilidades e tentar, é o caminho.

Ontem, a @cassiana_tavares escrevia sobre isso: “Não se tiram emoções. Não se deita fora o medo.(…) Todas as emoções têm o seu lugar.”

Vão ler.