Perfeccionismo

“Ah, é que eu sou muito perfeccionista” ou “Sou picuinhas, não descanso enquanto não tenho certeza”

e outras afirmações que tomamos para nós e para os outros, que são tudo menos bíblicas. Será que quando alguém se assume “perfeccionista” está a querer dizer “eu gosto de fazer tudo melhor do que a maioria das pessoas”? – talvez a pessoa não pense no imediato dessa forma, mas na prática está a querer dizer isso.

Deus pede-nos o nosso melhor. Quanto muito, pede-nos excelência no uso dos nossos dons, não nos pede perfeição – até porque não somos nem nunca seremos perfeitos, deste lado da eternidade. E dar o nosso melhor, se o colocarmos em termos de comparação, será sempre melhor que alguém e pior que outro alguém. Não há volta a dar. Por mais que nos esforcemos, que nos apliquemos, seremos sempre limitados, e não nos cabe traçar alvos inatingíveis. Durante muito tempo, a ideia de não fazer determinadas coisas com um grau do que eu considerava muito bom, levava-me a não fazer essas coisas, às vezes a nem sequer a tentar.

Nesta jornada da maternidade, aprendi que o melhor de uns será sempre diferente no resultado final do melhor de outros, e isso levou-me também a arriscar mais e a aceitar as minhas limitações, que me apontam para o único perfeito: o Senhor Deus.

Nunca serei perfeccionista, e ainda bem. Serei aquilo para o qual Deus me talhou para ser. Nas minhas trapalhices, talvez se veja o quanto preciso depender de Deus, e nas coisas bonitas, o quanto Deus é generoso comigo.

(Guardanapos de pano bordados por mim e pela Marta, com letra da Maria; um projecto adiado há demasiado tempo.)