Ferro que afia ferro

As facas desta casa têm o tempo do meu casamento: quase 20 anos. Por causa do uso que têm, preciso afiá-las com regularidade. Isso implica pegar na faca e fazê-la deslizar pelo afiador, vezes consecutivas, dos dois lados, com esforço e persistência.

Foi interessante quando, no devocional acerca da amizade da semana passada, fui conduzida ao versículo de Provérbios que diz: “Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo” – e os meus olhos se iluminaram com a graça de Deus na minha vida, através dos que me rodeiam.

Sem amigos presentes que nos afiam, nós não podemos cumprir o propósito para o qual Deus nos criou. Sem Igreja real, de carne e osso, com quem servimos e mostramos as nossas debilidades, não temos como ser afiados. Só existindo enquanto corpo de Cristo é que colocamos os nossos dons e talentos a funcionar.

𝗣𝗼𝗿 𝗶𝘀𝘀𝗼 é 𝘁ã𝗼 𝗽𝗲𝗿𝗶𝗴𝗼𝘀𝗼 𝘀𝗲𝗿 𝘂𝗺 𝗰𝗿𝗶𝘀𝘁ã𝗼 𝗲 𝗻ã𝗼 𝘁𝗲𝗿 𝗜𝗴𝗿𝗲𝗷𝗮.

As pessoas do Instagram vão dizer-me como sou inspiradora e a minha família é linda; os meus amigos-irmãos vão dizer-me isso algumas vezes, mas outras vão lembrar-me de que sou impaciente, que não falei bem naquele momento, o quanto posso ser injusta. Vão corrigir-me e fazer-me crescer em maturidade e humildade.

Enquanto o Instagram aumenta o ego – e tantas vezes, a ilusão de que somos bons e a nossa vida é perfeita -, a Igreja vai encorajar-me e amparar-me nas minhas dificuldades.

Mas na Igreja não se pode fingir? – perguntam vocês. Podes fingir, claro, se a tua ida à Igreja é apenas uma visita. Ser Igreja não é isso. É estar presente e ser. Quando servimos, somos e existimos em corpo, a todo o instante sobressaem as nossas imperfeições. Não há volta a dar, nós somos pecadores e pecamos todos os dias. E temos duas alternativas: ou escolhemos visitar, ou escolhemos permanecer para crescer.

No devocional desta semana, e na partilha semanal de ontem com as minhas irmãs na Lapa, dei comigo profundamente agradecida. Tenho e sou igreja de Cristo, apesar de mim. Apesar de mim, eu sou Igreja. É tão difícil, às vezes. Mas é tão saboroso quanto imprescindível, sempre.