Deficiência

A semana passada publiquei aqui nas stories, por causa do texto da Mafalda. É claro que ninguém vai negar o direito de a Mafalda viver uma vida digna – nem questionar o quanto ela abençoa quem passa por ela, ou a inteligência que Deus lhe deu- mas é isso que hoje em dia é considerado por muitos: 𝙋𝙚𝙨𝙨𝙤𝙖𝙨 𝙘𝙤𝙢𝙤 𝙖 𝙈𝙖𝙛𝙖𝙡𝙙𝙖 𝙢𝙚𝙧𝙚𝙘𝙚𝙢 𝙣𝙖𝙨𝙘𝙚𝙧?
Escrevo para cristãos agora, porque parto do princípio que entre cristãos, a vida é um valor inegociável. Contudo, entre cristãos, até isso me parece tantas vezes relativizado: “Se tu tivesses um filho em estado vegetativo, não sabes…”, “Se te dissessem que o teu bebé estava em sofrimento, eu queria ver…”. Eu, de facto, não sei o que é estar diante desse diagnóstico. Já perdi bebés no ventre, já tive os meus filhos hospitalizados, já tive vislumbres do que poderia ser perder um filho, mas não. Nunca me disseram que eu carregava um bebé com anomalias.
Contudo, um cristão rege-se por princípios, não por experiências de vida. É precisamente nesses momentos que a fé de um cristão se vê. A nossa fé é prática.
Vivemos numa realidade que foge de tudo o que é difícil. Vamos às vacinas com os bebés e, pelo sim, pelo não, dá-se logo o ben-u-ron para o caso de ter dores. A existência do rastreio bioquímico na gravidez e como ele nem sequer é questionado, prova isso. Não nos chegava uma ecografia, ainda ficamos com os cálculos de probabilidades na gaveta- e aterrorizamo-nos com estatísticas.
A forma como hoje se guarda a notícia da gravidez no primeiro trimestre é outro sinal de alarme. “É melhor esperar, para o caso de algo correr mal”. Isto é algo que ainda hoje me intriga: a sério que cristãos preferem esconder a gravidez, achando que assim controlam alguma coisa, desprezando a possibilidade de ter uma multidão a orar por esse bebé? Não entendo.
As doenças, as dificuldades, existem porque vivemos num mundo caído. É um facto. Mas não esqueçamos que, mesmo no Éden, Adão e Eva eram limitados. A perfeição não era ilimitada. Termos hoje doenças, incapacidades e sofrimento é um reflexo do pecado mas também da graça de Deus sobre todos. Cada pessoa existe porque Deus a criou, com ou sem deficiência.