Idade

Ainda na semana passada falava sobre isto entre amigas. Quando hoje li que a Globo elogia os 50 anos de Ivete Sangalo precisamente porque não os parece ter, até se me deram arrepios.

Percebo a ideia da eterna juventude – envelhecer não é fácil para ninguém, e eu já cá canto com muitas marcas de que a juventude se está a ir (ou já foi mesmo), mas elogiar quem atinge a maturidade dizendo que não se parece maduro, chega a ser obsceno.

Sabem, é que eu não quero parecer ter 25 ou 30 anos, não quero mesmo. Quero ser tratada como alguém que tem a idade que tem – 45. Não quero entrar num lugar e pensarem que sou uma garota. Não quero condescendência nem elogios porque pareço quem não sou.

Quero ser e parecer a idade que tenho- e se maturidade significa rugas e outros efeitos colaterais visíveis no meu corpo, parece-me um preço bastante justo. Não há nada como chegar a alguns momentos de segurança que só a passagem do tempo nos contempla e poder ser uma companhia e exemplo para quem vem mais atrás.

Porque não é suposto o tempo passar, nos seus processos de dor e crescimento, e nada transparecer. É uma farsa que nos impingiram e pode virar uma escravidão, que depois se vê em frases como: “Mas por dentro ainda me sinto uma jovem!” – como se o melhor momento da vida fosse aquele em que somos mais novos, como se estivéssemos completos e no nosso auge. Bolas, é que eu não queria por nada voltar atrás no tempo.

Nesta paranóia de idolatrar a juventude, temos uma sociedade que despreza quem não o é.
Olhamos para os nossos velhos com pena, por já não terem a mesma  energia ou não serem activos e imparáveis – sinais que valorizamos como agarrar a vida.
Ao contrário do que a Bíblia ensina, de que devemos respeitar e cuidar dos idosos, já que “os cabelos brancos são uma coroa de honra.” – Provérbios 16:31. Passamos ao lado da sua sabedoria, companhia, ritmo.

Sempre que uma mulher acreditar que não se deve perguntar a idade a uma senhora, está a engolir esse produto envenenado, o de querer esconder quem realmente é, e ensinar às mais novas que a vida é um processo a ser combatido, ao invés de usufruído.